quarta-feira, 8 de julho de 2026

Falar o que? Quando pisa nessa terra, alegria toma conta ou outros escritos: uma experiência.

 

   Jornada de cartéis – FCL Salvador 13,14 de Junho 2025.

 

Daniele Baggio[1]

 

Título: Falar o que? Quando pisa nessa terra, alegria toma conta ou outros escritos: uma experiência.

 

Quando recebi da comissão de Cartéis; de Vera Edington, Manoella Jatobá, Thaine Araújo, o convite para estar aqui com vocês nesta Jornada de Cartéis, Vera disse: temos tomado a afirmação de que a cada vez que um cartel se constitui, renova, em ato, a proposição de Lacan para sua Escola. Fui logo ler o belíssimo programa do FFCL SSA de atividades para 2025 e que instantaneamente pensei, parafraseando Lacan: O que posso saber?  e falar, sobre isso? ou ainda, com Ivete Sangalo quando canta: “Falar o que? Quando pisa nessa terra, alegria toma conta”. O que posso eu, falar a um fórum com tantos anos de trabalho, consolidado, com colegas tão experientes. Com tantas atividades...?

Converso com algumas colegas do Campo Lacaniano. Penso, leio e releio pela milésima vez a proposição de Lacan.  

E alguém me diz: fale da experiência. Então, me acalmo e me ponho e escrever, um outro escrito, de um outro jeito, para este espaço letra C. Volto a um trecho do meu prelúdio, lido, ontem com vocês e que não é novidade que este tema me causa.  Às voltas com o seminário 5 de Lacan, 1957-8, as formações do inconsciente e estudando sobre este tema da formação do analista, a enigmática citação de 1973, “Eu nunca falei de formação analítica, falei de formações do inconsciente. Não há formação do analista. (Lacan, Jacques. Sobre a experiência do passe. 3/11/ 1973).

O que quer dizer isto? Que da análise tira-se uma experiência, já o sabemos. Que toda análise é didática?[i] ou seria melhor falar em psicanálise pura?[2]

Bem, no ato de fundação, Lacan diz: “Os que vierem para esta Escola se comprometerão a cumprir uma tarefa sujeita a um controle interno e externo. É-lhes assegurado, em troca, que nada será poupado para que tudo o que eles fizerem de válido tenha a repercussão que merecer, e que no lugar que convier. Para a execução do trabalho, adotaremos o princípio de uma elaboração apoiada num pequeno grupo.. o cartel (Lacan, Jacques 1964-2003- p. 235).

Uma ressalva, é que neste momento estamos estudando em um cartel sobre os Outros Escritos. Essa empreitada atual se deu pela possibilidade que estes textos oferecem de se ter um panorama do ensino de Lacan.

Estes dispositivos, o cartel e o passe é a aposta de Lacan e continua sendo a nossa.

Assim, gostaria, então trazer uma experiência de trabalho no fórum AL enquanto estive em função de comissão de cartéis. Antes, mesmo de sermos oficializados enquanto fórum AL. E tomando como ponto de partida “a entrada na formação psicanalítica por essa via: o cartel que faz trabalhar aquilo que causa um a um em sua escolha pela Psicanálise. Fazer parte de um Cartel depende de um desejo decidido por essa escolha”.[3]

 Quanto nos formalizamos oficialmente em 2024 já tínhamos um trabalho que vinha sendo consolidando há 12 anos, com estudos, atividades, seminários, cafés escola, etc. Foi então, que nos deparamos com a seguinte questão, como fazer cartel num fórum em formação? Se não podíamos ter coordenador de cartel e nem um registro de Cartel? Nos viramos! Fomos procurando pares com nossos fóruns parceiros e nossos colegas de Escola que generosamente nos orientavam e nos auxiliaram na formação de carteis Interfóruns e registrados no fórum do mais-um. Tantos detalhes e questões que só fomos sabendo:  fazendo. Em nossa oficialização em Paris, em 2024, contávamos com 09 cartéis em andamento. Interfóruns. Mais, do que em muitos fóruns oficializados. Não, não é sobre quantidade. Mas, quero destacar aqui, os princípios da carta da IF que regem nossa escola: “Os Fóruns funcionam, portanto, de acordo com o princípio da iniciativa que só o princípio de solidariedade eventualmente limita. O princípio de iniciativa compreende-se facilmente: ele zela para que o funcionamento burocrático não sufoque as ideias novas e nem se constitua como obstáculo aos empreendimentos inesperados desde que compatíveis com as finalidades dos Fóruns. O princípio de solidariedade lembra, sobretudo, que em um conjunto ligado por um projeto comum, os atos de um - quer se trate de um membro ou de todo um Fórum - comprometem o conjunto dos outros por suas consequências. Ele convida, então, ao entendimento em todos os níveis e à responsabilidade de cada um”. (Carta da IF, 2022, p. 04). Sem nossos colegas e os fóruns parceiros, não teríamos conseguido. Nesta ocasião, trabalhávamos em um Cartel: fóruns em formação.

Este ano, teremos nossa primeira Jornada de Cartéis: Cartel faz litoral, em Agosto, deste ano. E que já aproveito para convidar a todos vocês. Foi e é muito trabalho, fazer fórum e escola. Mas, como não se haver com o ato? Se Lacan mesmo, nos diz que há consequências tanto nas análises quanto para a comunidade analítica.

Retomo a enunciação: cada vez que um cartel se constitui, renova, em ato, a proposição de Lacan para sua Escola. Vale também, para quanto se constitui um novo fórum...?

Cada experiência é única. Hoje enfrentamos tantos outros desafios e questões. Cito, Lacan: “Aquele que me interroga também sabe me ler.”  J. L. e seguimos. Hoje estamos com 8 cartéis em andamento, já temos cartéis registrados no próprio fórum AL, conquistas. E logo, os produtos e ou as crises disto, serão expostos na jornada de cartéis. Cito Lacan: "Saiam de suas poltronas e produzam um escrito sobre o que formulam em suas análises e suas clínicas, e o tragam a céu aberto para que um interlocutor possa levar a empreitada adiante. Se ainda não há uma conclusão, exponham ao menos suas crises de trabalho com certeza isso terá um efeito sobre o seu ato.”  (Lacan, 1980).

 Esta comissão de cartéis, também me pediu para falar um pouco sobre o princípio. Como começou este trabalho de fórum em Alagoas. Contagiada pelo texto de oficialização na assembleia internacional em Paris, Vera disse: algo alí me foi transmitido. Bem, a gente nunca sabe se a uma transmissão acontece, a priori, só a posteriori, quando alguém diz de seus efeitos, isso serve para clínica e também para estes espaços. O fórum Alagoas já tem alguns anos de trabalho, uns 13 pelo menos, quando cheguei em Maceió, já era membro de EPFCL, fazia parte do FCL MS há um tempo. Incomodadíssima com o que escutava na faculdade onde lecionava na época, de uma psicanálise sistematizada, nada lacaniana. Fico inconformada e começo chamando alguns colegas para estudar, fizemos estudos, pós graduações, etc. Sempre convidando nossos colegas de EPFCL para estar conosco e “levar a empreitada adiante”, Mas, isso ainda não era fazer fórum e escola, era um iniciativa.

Para que conseguíssemos chegar a oficialização, muito trabalho aconteceu. E o que contei p vcs no começo deste texto quando falei dos trabalhos de cartéis. É sempre por esta porta de entrada que se faz escola. Então, para os que estão chegando: Faça cartel, para os que estão a muito tempo neste percurso: faça cartel. Como nos diz, Lacan na proposição: um sujeito não supõe nada, ele é suposto. Suposto, ensinamos nós, pelo significante que o representa para outro significante. Escrevamos como convém o suposto desse sujeito colocando o saber em seu lugar de adjacência da suposição. (Lacan, P. 253). Assim, também, vcs bem colocaram no card desta jornada: “Escola é um lugar que cada analista faz, ao expor “as razões de sua clínica” (...). A Escola não institui o analista, ao contrário é ele quem, pela exposição de seu trabalho, constitui a Escola suscetível de garantir a psicanálise. (Fingermann, 2004, p.9).

Hoje, somos 12 membros, uma carta em tramite e temos como premissa a participação assídua nas atividades e que: Esteja em Cartel. E temos atividade acontecendo no Sertão, Agreste e Litoaral Alagoano.  E sabemos que este é só o começo. Outros virão. Outros pares, outros escritos, outras experiências.  Estamos este ano,  num momento muito especial e de muito trabalho e também festivo por que quisemos ousadamente, sediar o XXV Nacional da EPFCL-Brasil: “Formação do analista: urgência de nossa época”. E que contamos com a presença de todos vocês, conexão FFCL Salvador, Maceió,  nosso fórum, vizinho, para estudarmos e brindarmos esse fazer fórum –escola que apesar da trabalheira, é motivo de muita alegria.

Para concluir a expressão de Lacan:  ‘pensar com os pés’, usada algumas vezes ao longo de seu ensino e por Ana Laura Prates, em um de seus artigos[4]:  Ele dizia que esse era o modo de pensar mais coerente com a Psicanálise, já que nossa práxis não é exatamente, ou pelo menos não somente, uma experiência cognitiva. Há alguma especulação sobre uma alusão à expressão de língua inglesa “walk the talk” que poderíamos traduzir mais ou menos como “bancar o que se fala”. A alusão aos pés, de qualquer forma, não é inocente para nós Psicanalistas, já que ela remete diretamente ao nosso mito fundador, o Édipo (Oidipous). Em outras palavras, a sustentação do ato ultrapassa o pensamento cognitivo. Trata-se, portanto, da ética do bem dizer e do bem fazer em contraponto à moral das palavras ao vento. Os pés são os membros que nos sustentam, mas também são eles que nos põem em movimento. Eles são, a um só tempo, a sustentação e a leveza. São eles que nos indicam e nos alegram quando se pisa nesta terra.

 

            Referência:

Lacan, J. D’ Ecolage, 11 mars, 1980.

Lacan, J."Televisão", 1974- 2003, p. 508.

Lacan, J. Outros Escritos, 1901-81/2003.



[1]

Psicanalista, membro de Escola da EPFCL Brasil, do fórum Alagoas. Mestre em Psicanálise. danielebaggio@yahoo.com.br

2 Lacan, 1973 sobre a experiência do passe.

[3] https://www.campolacaniano.com.br/dispositivos/

[4] https://jornalggn.com.br/cronica/pensar-com-os-pes-por-ana-laura-prates/



[i] A psicanálise pura, também conhecida como psicanálise propriamente dita, refere-se à aplicação da teoria e método psicanalíticos para a formação do analista, com foco na análise pessoal, estudo teórico e supervisão. Em outras palavras, é a formação do psicanalista, enquanto a psicanálise aplicada se concentra no tratamento do paciente. Psicanálise Aplicada (Tratamento do Paciente): A psicanálise aplicada, por sua vez, foca no tratamento do paciente, buscando o efeito terapêutico. 

 

A formação do analista, uma formação do inconsciente: Um sonho.

 

Título: A formação do analista, uma formação do inconsciente: Um sonho.

Subtema:  A formação do psicanalista e a transmissão da psicanálise: na Escola, na universidade, na saúde, na educação e em outros campos.

 

Às voltas com o seminário 5 de Lacan, 1957-8, as formações do inconsciente e estudando sobre este tema da formação do analista, a enigmática citação de 1973, causa! “Eu nunca falei de formação analítica, falei de formações do inconsciente. Não há formação do analista”.[1]

O que quer dizer isto? Que da análise tira-se uma experiência. Já que toda análise é didática ou seria melhor falar em psicanálise pura?[2]

Desde modo, há uma articulação entre 1957 e 73 uma vez que as formações inconscientes dá mostras, de um analista.   “O que chamamos de formações do inconsciente, que Freud nos apresentou com esse nome, de formações do inconsciente é unicamente a apreensão de um certo primarismo na linguagem que, é tecido... textura de linguagem”.[3]  Portanto, se forma enquanto sonho, ato-falho, chiste? Trata-se, portanto de um ato!

Um ato vale dizer, com Freud 1976 e 1916[4], Fehlleistungen, atos falhos, funções falhas, lapsos — formações do inconsciente polissêmico que revelam a divisão subjetiva. Um ato marca um antes e um depois, dado que, diferentemente de uma ação motora, qualquer, precisa, necessariamente, introduzir uma descontinuidade, um corte. Um ato requer uma qualidade de presença que ultrapassa a vontade e a consciência.

Sem contar com a possibilidade chistosa que isso também revela. Um estilo. Enquanto, traço e marca singular, deste analista. Formação do inconsciente que se revela, deformação, uma vez que consiste em se confrontar a esse toque do real que não cessará de atormentar o sujeito que terá aceito de a ele se expor.

Podemos dizer, que é pela falha que se possibilita produzir um analista. Portanto, como nos diz Lacan, um “autorizar-se, não significa auto-rit(uali)zar-se...que é do não-todo que depende o analista.”[5]. Por aí, ele tentou fazer passar seu passe e que o resultado é algo inteiramente novo. O passe tem efeitos nos que se apresentam a ele.

É isto, que estamos associando a formação do analista. Que dê um lapso, um ato-falho, um sonho e até mesmo um chiste, um analista aí está. Portanto, o analista não é autorizado por ninguém, ele se autoriza por si mesmo. [...] Não existe o Outro da autorização. A partir de que, então, o analisante se autoriza analista? Ele se autoriza a partir de seu trabalho analítico, do deciframento de seu inconsciente, o que não é independente de seu trabalho de transferência – do que ele faz da relação transferencial estabelecida com seu analista[6].

O analisante, em seu processo de se tornar analista, forma seu inconsciente, que até então, se manifestava apenas sob os auspícios das “formações do inconsciente” (sonhos, lapsos, sintomas…). Ele o forma não apenas como lugar de um saber não sabido, mas igualmente como estrutura em torno de um ponto incognoscível ou como “o impossível de reconhecer.

Esta experiência sob transferência do inconsciente poderá, então, desembocar não apenas na melhora da posição do sujeito, mas igualmente na articulação de um saber preexistente, ainda que insabido, e de um desejo singular. Eis aqui a única e verdadeira base do que temos o hábito de nomear formação analítica.

Não há formação analítica para além do divã, poderíamos resumir. Há apenas uma formação do inconsciente que conduz a se tornar analista, formação eminentemente singular que Lacan indexa sob o nome de “desejo do analista”.[7]

O desejo do analista é o desejo de obter a diferença absoluta O desejo do analista é o ponto absoluto. Isto é, que o sujeito saiba o que ele é. O desejo do analista é fazer semblante de a para que o paciente possa encenar, não no palco, mas abaixo dele, na plateia, sua cena. Dizendo de outra forma, savoir faire com seu sinthoma.[8]. O desejo do analista é sua oferta. O analista faz semblante de objeto para o sujeito do inconsciente.

É preciso ter ido longe o bastante na própria análise para que este desejo advenha. Este desejo inédito leva em conta um saber sobre o real. E por haver esse desejo é que pode - se oferecer-se como semblante de objeto para um outro e sustentar as análises. Este é também um compromisso ético com  a causa analítica, pois este saber é construído. E por ter passado por esta experiência com a castração, terá um entusiasmo que o coloca sempre a trabalho que se tornou causa. [9]

O desejo de analista, também precisa dar essa notícia e demonstração de que algo da sua análise produziu uma maneira outra de se relacionar com a satisfação pulsional. O desejo de analista é a prova de um destino pulsional que não se sustenta sem estilo. Também nos lembra que o  passe como procedimento institucional não é exame obrigatório; mas o passe como momento clínico é provação necessária de todo e qualquer analista. O analista valida ele mesmo a sua passagem pela sua presença na comunidade analítica, a sua fala, os seus escritos, a sua “práxis” da teoria. A análise de um analista será dita didática se ele mesmo puder dar as provas dessa passagem à posição de analista[10]

            E ainda que uma psicanálise tenha algo de intransmissível, fiquemos com a citação lacaniana de que: “Cada psicanalista seja forçado a reinventar a psicanálise”[11] não sem outros, a escola e seus dispositivos e dizer se seu percurso, de sua passagem a psicanalista, seu ponto de finitude, de seu desejo de analista com a responsabilidade em fazer ressoar este toque do real que os fez psicanalista. Um sonho, um ato.

 


Referências:

BRUNETTO, A.  diabo e suas máscaras: a tríade infernal do desejo. São Paulo: Aller, 2023. P. 189.

FREUD, S. Os atos falhos. Obras Completas. São Paulo: Companhia das Letras. 1916.

FREUD, S. A psicopatologia da vida cotidiana. Obras Completas. Vol  VI. Rio de Janeiro: Imago. 1976.

FINGERMANN, Dominique. A análise dos analistas. Disponível em: Jornal74.pdf. Acesso em: 30/08/2025.

LACAN, Jacques. Seminário 5: As formações do Inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

LACAN, Jacques. Sobre a experiência do passe. A respeito da experiência do passe e de sua transmissão. Tradução: Ana Lúcia Teixeira Ribeiro. In: Documentos para uma Escola II. Lacan e o passe. Letra Freudiana- Escola Psicanálise e transmissão. Ano XIV, N. 0. P.57. 1973-1995.

LACAN, Nota Italiana, Outros Escritos, Zahar, p. 311-312. 2003.

____.  Conclusões Congresso sobre a transmissão In: Documentos para uma Escola II: Lacan e o Passe. Documento de circulação interna da Letra Freudiana – Escola Psicanálise e Transmissão. Rio de Janeiro:  ano XIV, nº 0. 1978-1995.

MACHADO, Zilda. Da angústia ao desejo do analista. Disponível em: hhttps://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-73952008000200004. Acesso em: 30/08/2025.

 QUINET, A. A estranheza da psicanálise: a escola de Lacan e seus analistas. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

VIVES, Jean Michel. Não há formação analítica. Disponível em:  https://revistalacuna.com/2023/12/19/n-15-04/. Acesso em: 22/08/2025.

 

 

 



[1]  Lacan, 1973, p. 57 sobre a experiência do passe

[2] Lacan, 1973, p. 57 sobre a experiência do passe

[3] Lacan, 1957-8, p. 369

[4] Freud, 1976 em a psicopatologia da vida cotidiana e nas conferências introdutórias, 1916.

[5]   Lacan, 1973, Nota Italiana

[6]  Quinet, 2009, p. 114-115

8  Vives, 2019

[8] Brunetto,2023, p 189

[9] Machado, 2008.

[10]  Fingermann, 2008

[11]   Lacan, 1978/1995. P. 66

 Trabalho apresentado no XXV Encontro Nacional EPFCL Brasil - Maceió-AL. e 16 a 19/Out/2025.